25.11.10

O que você aprendeu na escola?

Quanta coisa uma criança aprende em dez anos?
Muita.

Quantas na escola?
Muitas.

Ta, mas com exceção do recreio, da entrada e da saída. Quanto?
Hum. Quase nada.

Pois é. Pense em seus 8, 10 anos de idade. O que você aprendeu e não esqueceu mais? Eu aprendi que chutar de chapa faz a bola ir no canto, que dá pra fazer uma zarabatana com caneta Bic, que mandar bilhetinho para a Bruna fazia as amigas dela rirem da minha cara, que não era boa ideia brigar com o Alessandro que era repetente, que dar peteleco bem na ponta da orelha doía mais... estas coisas da vida. Tabuada não é vida.

Mas de vez em quando, assim quase nunca, a gente lá sentado ouvindo o blón blón blón que não acabava, uma manhã demorava mais que uma semana pra passar, no meio daquele nada, assim, pá!, de repente a professora dizia algo aprendível. Era raro, mas nos enchia de luz, era como se abrissem as janelas emboloradas e o Sol entrasse em nossas cabeças. Aquelas coisas que você não esquece nunca mais.
Coisas que aprendi na escola:

Existem bactérias em você
Como assim? Serezinhos se mexendo embaixo da minha unha? Mas eu não vejo! Não ouço! Demais, as bactérias.

Atravessar a rua em diagonal
Foi uma aula de Educação no Trânsito. Para não ser atropelado, você primeiro cruza a rua para o lado, e depois cruza a outra rua, para a frente. Faz um L, apesar do caminho mais curto ser a diagonal. Genial!

O mundo é redondo
Esta é demais. A Tia Leonor explicou e na hora lembrei daquela vez na praia, eu tinha 5 anos e saí correndo em direção ao Sol que se punha, enlouquecido, os gritos de minha mãe ao fundo, devo ter corrido 200, 300 metros, gritando “o Sol tá embaixo!” e eu estava determinado a “vou pegar o Sol! Eu vou pegar o Sol!”. Quando me contiveram, e me debatia desesperado, faltava só um pouquinho! pra chegar, faltava só um pouquinho.
E agora, de repente, o mundo era redondo. E eu nunca mais ia alcançar o Sol.

90% do corpo é água
Aula de Ciências. Não lembro o nome da Tia, mas era nariguda. A gente ficou se apertando para ver se saía água, mas não saía. Acho que o Adriano já tinha percebido que não saía, mas continuou apertando o Haroldo só de sacanagem, coitado, era sempre o Haroldo que levava geral. Eeee....eeeeeeeeEEEEE!

A gente nasceu porque papai e mamãe fizeram sexo
Foi o Tio Sandrine. A aula tinha acabado, mas sobrou tempo. A molecada fazendo a maior zona, ele resolveu explicar de onde viemos. Desenhando na lousa e tudo. Deu certo, a classe ficou em silêncio absoluto. Um misto de estarrecimento, choque, nojo.
“Mas tem que fazer mesmo? Se não fizer não nasce?”, eu perguntava no caminho de casa para minha mãe, que penou para desconversar.

10 comentários:

Daniel Carneiro disse...

Lembro do dia em que perguntei pros meus pais como eu fiz pra nascer. Foi constragedor, na frente de vários amigos deles...

Lian Tai disse...

Hahahaha!!! Que delícia de texto! Demorou a sair, mas valeu!!! Beijos!!

Lilian Glaisse disse...

Lá na mata, eu aprendi:
- Que tinha uma planta ótima pra fazer tortura. Ela dava urticárica e deixava a pele quase em carne viva.
- Toda a letra de Asa Branca, de Luiz Gonzaga
- Que colocar pimenta com siringa dentro do Bubaloo era um ótimo trote pra quem não parava de filar o nosso
- Que não adiantava quantos shorts eu colocasse por baixo da calça jeans, eu nunca seria uma das bundudas do colégio. No máximo, uma das quadradonas. (vai por mim, é muito difícil se mover com tantos deles!)

Douglas Kawaguchi disse...

Meu Deus, a pimenta é sua cara, Glaisse! :)

Lian, me dá uns cutucões com esse dedo aí, preu escrever mais!

Sentilavras disse...

Hehehehe... Vc se lembra do q sua mãe disse pra desconversar? Deve ter sido engraçado.

Douglas Kawaguchi disse...

Não! Droga, viu, saco.

Ana Gabriela Iasi Pilch disse...

Muito bom os seus textos!
Na escola também subi uma vez no trepa trepa e minha professora teve que ir me buscar lá em cima, o pior foi saber que quando não conseguia descer, nem ela queria me pegar lá de cima, rs.
O trepa trepa é o único lugar que aquele ditado muda: Pra descer todo santo ajuda.

Nele é: Para subir todo santo ajuda, mas tentar descer dele! rs

Ana Gabriela Iasi Pilch disse...

Eita tá vendo, li tantos textos que misturei tudo...mas tudo bem esse tambem tem relação com o colégio, rs.

Douglas Kawaguchi disse...

hahaha Brigado, Gabi! É muito bom atiçar a memória das pessoas sobre coisas boas! Beijao

Ana Gabriela Iasi Pilch disse...

;)